Here and There [or Somewhere InBetween]
video-performance, Berlin 2011

radialsystem, berlin, 2011 | studio K77, berlin, 2012 | Boddinale, Loophole Berlin, 2013 | Festival Dança em Foco, Rio de Janeiro, 2016

a mulher estrangeira busca o “nativo” dentro dela, escondido em baixo das diversas camadas de histórias individuais.
destacando biografias do tempo e do espaço.

direção/conceito/texto: cristina elias
performance: anca huma
video: virgis puodziunas
set design: annisa jabour

Sete histórias diversas, entretanto a mesma estrutura para todas elas: deixar a zona de conforto para buscar uma vida outra. Migração não apenas no que se refere a deixar um país, um lar, mas também a deixar histórias, situações, pessoas... e mergulhar no novo. Assumir o risco de “pisar no campo minado”. O próprio corpo como refúgio. Sete mulheres diversas, entretanto a mesma estrutura para todas elas. Existe um núcleo duro para o “Fêminino”? Se todas as camadas de traços sociais, culturais, raciais, geográficos e de amadurecimento fossem sistematicamente arrancados de certos indivíduos, teriam as suas várias sementes nuas alguma similaridade?

O projeto Here and There [or Somewhere Inbetween] começou com uma série de entrevistas com mulheres imigrantes. Apesar da diversidade de contextos sócio-culturais e de proveniências geográficas de cada uma delas, uma estrutura básica similar surpreendentemente se fazia ver em cada um de seus percursos de vida: a inevitabilidade da “viagem” e a clausura no próprio corpo como proteção contra os outros e o mundo exterior. Dessas sete entrevistas, sete histórias foram escritas em forma de texto e filtradas de todos os detalhes espaciais e temporais. O resultado foi um mosaico de sete fragmentos de histórias que juntas fazem sentido como um todo. A coreografia reflete estes mesmos princípios básicos: um jogo interminável entre dualidades como dentro e fora, centro e superfície, masculino e feminino, circular e linear, eu e não-eu, para frente e para trás... Enquanto o nosso corpo existe no espaço, a nossa alma existe no tempo – o contato físico com os momentos que passam “por entre” (ïnbetween) “aqui e ali” (here and there) é inevitável. A principal questão que se coloca nesse trabalho é como e com que intensidade narrativa, movimento e construtos espaciais se inter-relacionam para refletir a viagem cotidiana da alma numa performance fisicamente expressiva.

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